Prefeito tem mandato cassado pela Câmara e atribui decisão a perseguição política

Por nove votos a um, os vereadores da cidade de Central, no território de Irecê, cassaram o mandato do prefeito Renato Pereira de Santana (PSB), na tarde desta quinta-feira (13). As acusações que recaem sobre Renato do Boi, como é conhecido o gestor, dão conta da falta de repasses das verbas previdenciárias aos servidores, e da falta do repasse do INSS patronal. 

Em sua defesa, o agora ex-prefeito, aposta em perseguição política como justificativa para o seu afastamento e garante que irá recorrer da decisão no judiciário. Enquanto isso assume a gestão da cidade, o vice-prefeito José Wilker Maciel (DC).

Em entrevista ao Bahia Notícias, o vereador Suedras Dourado (DEM), presidente da Comissão processante que cassou Renato do Boi, explicou que a Comissão, instaurada em setembro do ano passado, apurou uma denúncia de infração do repasse a menor das verbas previdenciárias do servidor, e a falta do repasse do INSS patronal. 

“A comissão fez os trabalhos e, durante a instrução processual, observou a falta de pagamento do município da verba patronal. Ele pagou uma pequena parte da verba patronal e agora em dezembro, ele parcelou a verba patronal acarretando um prejuízo ao município de mais de R$ 402 mil reais”, explicou. 

Ainda de acordo com o presidente da comissão, o prefeito chegou a se defender, mas nunca enviou uma justificativa oficial para a Casa. “Inclusive, a Câmara tinha oficiado ele antes da comissão processante. Oficiamos reiterando, e nada foi explicado do porque ele não estava pagando. Daí, um cidadão fez a denúncia, a Câmara foi apurar e constatou a ilegalidade e a infração político administrativa”, disse.   

Procurado pelo Bahia Notícias, o prefeito cassado disse estar com a consciência tranquila e garantiu que recorrerá da decisão na justiça. “A Câmara formou sua maioria e eu só fiz dois vereadores. Eles se adiantaram e criaram um documento impedido que o meu filho, que é vereador, participasse da votação”, relatou.

Renato do Boi agradeceu à população, que foi à Câmara para tentar impedir a decisão, e disse que se trata de perseguição política. “Me cassaram sem cometer nenhum crime, por não concordarem com o resultado das eleições. A gente combatia corrupção. Falei que Central não podia mais ter corrupção. A prática que vinha se utilizando era uma corrupção desenfreada onde se beneficiavam os ex-gestores e a Câmara, e o povo ficava na miséria. Eu cheguei quebrando esse sistema e eles não aceitaram”, ponderou. 

Sobre as acusações em relação aos repasses, o gestor se defendeu. “Eu estava pagando 100%  do segurado, e parte (de 70 a 80%) do patronal. Não pagava o 100% devido aos débitos exorbitantes que as gestões anteriores deixaram. O município não tinha condição de pagar o 100% do patronal. Eles se queixaram disso, fiz um acordo com o INSS, paguei, fiz o parcelamento, paguei a primeira parcela, está tudo quitado. Pendência não tem nenhuma. O município está sem pendência quanto a denúncia que eles fizeram”, finalizou. 

ELEIÇÕES: De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Renato do Boi (PSB) foi eleito com 54,13% dos votos. Foram 5.782 votos no total. Ele derrotou nas urnas Tarcísio Rodrigues, que ficou em segundo lugar com 31,62% (3.377 votos). Ainda de acordo com os dados do TRE, na eleição, Central teve 17,25% de abstenção, 0,99% votos brancos e 3,11% votos nulos.

Bahia Notícias