Ameaças do advogado José do Vale, no jornal da rádio local, foram direcionadas à Delegada ou a Juíza de Jaguarari?

Foto: ASCOM-PMJ
Declarações de José do Vale, contrárias a ação da Polícia Civil que apura os ataques a honra e a liberdade da Juíza da Comarca de Jaguarari na última terça-feira (30), durante um protesto na frente do Fórum e afirmações em tom de ameaças, durante sua participação no jornal da rádio local, deixaram a população perplexa, por se tratar de um advogado. José do Vale classificou a ação “totalmente desproporcional”. Do Vale disse também que: “Qualquer ato de abuso de autoridade vai ser REPRESENTADA! Vai ser REPRESENTADA, seja no Ministério Público, seja na Corregedoria, vai ser REPRESENTADA”! Como a ação policial partiu a partir da agressão ao Poder Judiciário, que tem uma mulher à frente, mas o trabalho do Inquérito aberto está sob a responsabilidade da Delegada Dra. Maria Elisa Padilha, os ouvintes daquela emissora não conseguiram identificar a quem o advogado tentou intimidar com a expressão “vai ser representada”.
O advogado, que foi membro da procuradoria e ex-secretário de administração do ex-prefeito Everton Rocha, disse não ter participado da “manifestação”, mas afirmou não ter visto nenhum dano praticado pelos militantes. José também falou que esteve com o Promotor da Comarca, que assistiram os vídeos e conversaram sobre, segundo José do Vale, ao questionar o chefe do MP, “Dr. qual foi aí, aonde está o dano? Tem dano?”, a resposta teria sido “não tem dano”. Do vale afirmou ainda, que o Promotor disse que está vigilante quanto a esta operação que apura os crimes cometidos contra a Juíza Dra. Maria Luíza e que vai coibir qualquer ato de abuso de autoridade.
Mesmo com todas as provas contidas, de que a Magistrada sofreu tentativa de coação e privação de liberdade, que foi afrontada, xingada, desrespeitada e correu até risco de ser agredida; o advogado José do Vale disse: “Não vi um xingamento nos vídeos. (...) O que a população quer é só uma coisa: o exercício da democracia, o respeito a democracia, até porque o Tribunal de Justiça da Bahia tem mostrado claramente que é para retornar o prefeito, já deu decisões reiteradas de retorno do prefeito ao cargo. Então assim, natural que a população tendo uma decisão desfavorável da Juíza se manifeste. Qual o problema?
Que o advogado reflita: é natural que manifestantes chamem uma magistrada de “bandida, corrupta, ladrona?” O dano só existe se for material? E o dano institucional representado pela Juíza? E a honra e a liberdade da magistrada?